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Vivência da espiritualidade na criança com doença oncológica

Vivência da espiritualidade na criança com doença oncológica
Fabricante: Editora GARCIA
Modelo: 978-88-97354-47-5
Disponibilidade:
Frete Gratis
Preço: R$ 21,00

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Vivência da espiritualidade na criança com doença oncológica

A CRIANÇA COM CANCRO - MARIA FILOMENA MARTINS LUCAS - FORMATO 15X21 - 84 PÁGS.

Falar das crianças com cancro nem sempre é fácil... Pelas emoções que nos provocam, pelos sentimentos de injustiça, de impotência que causam…

Partindo de desabafos, confissões, relatos "coleccionados" ao longo dos anos procura-se ilustrar o caminho percorrido pelas crianças com cancro e suas famílias, abordando, nesta fase, o sofrimento que lhe está associado.

Partindo do impacto do diagnóstico e do significado da doença através das diversas idades vai-se reflexivamente caracterizando esse sofrimento demons-trando simultaneamente o sentido que as crianças atribuem a esta situação de vida. Esta é também, o ponto de partida, para a abordagem da Espiri-tualidade na criança. Apesar de constituir uma abordagem muito superficial é o início de um percurso que revelará o crescimento interno e o modo como estas crianças passam a encarar a Vida e Morte. É a vivência da "Sua" Espiritualidade na sua plenitude.

Ao abordar-se a temática da criança com cancro e realidade que a envolve procura-se simultaneamente alertar os leitores para questões relacionadas com o aperfeiçoamento individual e com a visão da vida em que estamos inseridos.


Entrevista realizada no quadro BATE PAPO COM O AUTOR no dia 26 de novembro de 2012

GARCIA edizioni.: - Como surgiu a ideia de escrever sobre o assunto da Espiritualidade nas crianças que fazem tratamento oncológico?

Maria Filomena M. Lucas.: - Foi uma ideia que foi criando forma, ao longo da minha experiência profissional. Um dia, ao cuidar de uma criança numa fase de doença um pouco complicada, ela disse-me: “Enfermeira…eu nem sequer sei se a Enfermeira acredita em Deus… nem sequer sou da sua família para lhe poder pedir isto mas… quando chegar em casa… reze por mim… reze por mim porque as orações dos meus pais já não estão a fazer efeito”. Confesso que fiquei um pouco atordoada… não só pela situação em si, no que me causava, mas também porque nunca até ali ter dado a devida importância a esta área.

Reconheci a minha falta de conhecimentos e resolvi investigar, conhecer o que existia e procurar respostas a algumas questões que me atormentavam: "Como determinar as necessidades espirituais na criança?" "Como integrar a espiritualidade nas intervenções de enfermagem à criança com doença oncológica?" "Qual o papel da espiritualidade na adaptação da criança à situação?"

A pesquisa efetuada revelou que era um assunto pouco abordado, muitas vezes considerado tabu e/ou confundido com Religião. Fui também verificando que a actividade nos profissionais de saúde se limita a questões vagas sobre o tema, essencialmente sobre a religião praticada. Os efeitos que as práticas existentes (ou não) têm sobre a situação de doença e o modo como aquela contribui (ou não) para a adaptação e a influência que exerce nos diferentes elementos da família não são devidamente trabalhados nem sequer referenciados. Resumindo, verifiquei uma lacuna de conhecimentos que tentei colmar ao escrever este livro. Penso que o conhecimento deve ser partilhado e divulgado, pois só desta forma ele pode evoluir. Mesmo que cause controvérsia, que não seja do agrado de todos, ao ser questionado ele obriga as pessoas a refletirem… a saírem da sua área de conforto e nalgumas situações a informarem-se mais sobre o assunto.

GARCIA edizioni.: - Você sempre se interessou por espiritualidade?

Maria Filomena M. Lucas.: - Sim, embora talvez nem sempre de uma forma muito consciente. Sempre achei que existia alguma coisa que nos conectava… que nos interligava…sempre fui sensível à natureza, ao pôr-do-sol, altura em que inexplicavelmente me sentia una com o Universo… Só mais tarde, numa fase da minha vida pessoal, particularmente difícil, em que tive que parar para refletir no sentido que queria dar à minha vida e o que era realmente importante, é que eu percebi o que era, o seu significado e o que “Ela” representava para mim e para o modo como me posicionava perante à vida e na relação com os outros.

Julgo que escrever o livro também me ajudou a "sistematizar " as ideias e os conceitos e a alicerçá-los em mim.

GARCIA edizioni.: - Você entrevistou crianças que passaram por tratamento…

Maria Filomena M. Lucas.: - Não… eu não entrevistei crianças… eu fui recolhendo relatos ao longo da minha experiência profissional…

No final do turno, ao chegar a casa, dedico um pouco do meu tempo a refletir e a analisar o trabalho realizado: as respostas das crianças e famílias aos meus cuidados… as interações… os gestos… os silêncios… o que podia ter dito, sugerido, modificado… Desta introspecção fui verificando que existiam expressões que me marcavam… afirmações que ficavam retidas na memória… e foram “estes pequenos desabafos, confissões, amuos, medos” que eu utilizei neste livro e nos que se seguiram (também publicados pela GARCIA edizioni).

Foram relatos que encontraram eco em mim e que me levaram a querer ir além das aparências ou seja, descobrir o que elas realmente queriam dizer. São simultaneamente afirmações que caracterizam e identificam as crianças de quem cuidei e que deixaram em mim a sua presença, o seu ensinamento, a sua aprendizagem perante a situação de vida que as envolve. Perante a diversidade das crianças com cancro, cada criança é única e cada uma delas ensinou-me uma forma particular de estar perante a vida.

GARCIA edizioni.: - Qual o seu principal objetivo ao escrever o livro?

Maria Filomena M. Lucas.: - Torna-se para mim difícil traçar um único objetivo. O fiz para “dar voz” às crianças com cancro, para apresentar os seus sentimentos e emoções perante esta situação. Julgo que apesar de se falar muito nesta doença crônica, são poucas as oportunidades dadas para que as crianças com esta doença se possam expressar.

Procurei também alertar para a realidade que envolve estas crianças. Para as múltiplas facetas que as caracterizam e que estão inerentes à sua doença. Procurei também chamar a atenção para a Espiritualidade Infantil… que “Ela” existe e que deve ser desenvolvida o mais precocemente possível – quando os afectos dos pais se fundem nas festas da barriga…é o início do estabelecimento da relação de confiança… no mundo e nos outros que se vai desenvolvendo à medida que a criança cresce.

Este livro, sem qualquer tipo de pretensão poderá ter diferentes leituras: ser um instrumento reflexão para quem quer observar a sua postura perante a vida, um ponto de partida para aprofundar e/ou adquirir conhecimentos na área, uma visão sobre o sofrimento da criança com cancro – cada um adotará a postura que lhe fizer mais sentido. Para mim, além de tudo o que disse anteriormente é, simultaneamente uma fusão de recordações, sentimentos e uma homenagem às crianças que têm passado pela minha vida e que a têm tornado mais rica. Espero que gostem e… aconselho - os a comprá-lo e dar o vosso feedback.

GARCIA edizioni.: - Acredita que a leitura do livro pode mudar a percepção sobre a doença e a espiritualidade naqueles que o lerem?

Maria Filomena M. Lucas.: - Sim, para todos aqueles que lerem o livro de uma forma aprofundada e reflexiva… Para todos aqueles que conseguirem ler o livro até ao fim… Não nego que é um livro “emocionalmente pesado” pelas situações que descreve,  mas engloba uma realidade que não podemos negar e que temos que enfrentar e se possível conhecer pois só conhecendo se pode ajudar… Se pode ir ao encontro das necessidades existentes.

Paradoxalmente, considero-o um livro “otimista” porque mostra a capacidade que estas crianças têm de viver o momento – o aqui e agora. Sempre que podem e o seu estado de saúde permita fazem o que sabem fazer melhor – Brincar.

Aproveitam as suas capacidades, potencialidades existentes para ultrapassar as dificuldades – não é raro ver crianças amputadas a dançar Quizomba ou crianças em fase terminal a jogar matraquilhos. Elas ensinam-nos que a Vida não é para desperdiçar e que cada momento pode ser o último.

É um livro que também nos alerta para a importância da espiritualidade nestas crianças e que “ELA”, por vezes, se expressa subtilmente no rosto, no olhar, nas posturas que adotam ou nas perguntas que fazem. Ao sentirem que quem as rodeia se está a centrar, unicamente, em ações, técnicas, em executar “algo” que possa tratar a doença, são elas próprias que nos alertam para aspetos mais subjetivos do nosso Ser. Tudo isto traduz muito o modo como vivem e procuram a sua “Espiritualidade” ou seja de algo que lhes dê força para continuar… Daquilo que as faz enfrentar a situação…Não sem revolta…Não sem dor… Sem sofrimento mas que as leva a ultrapassar tudo isto e a prossegui dando… Um outro SIGNIFICADO À SUA VIDA.

Este é um livro que não pode/deve ser lido na diagonal porque pode fornecer estratégias que pudemos utilizar em situações do nosso dia-a-dia. É um “instrumento” que, creio, nos pode ajudar a refletir no nosso modo de vida, em como pudemos ultrapassar as dificuldades e constrangimentos que vão surgindo… Enfim, julgo que, efetivamente, pode contribuir para o nosso desenvolvimento e aperfeiçoamento individual… Basta o leitor predispor-se a isso sem julgamentos. sem preconceitos sem mas… Simplesmente deixar-se envolver.

GARCIA edizioni.: - Você sente que a experiência de escrever o livro a transformou?

Maria Filomena M. Lucas.: - Sim, a diversos níveis. Profissionalmente obrigou-me uma vez mais a pensar no que eu era como profissional e no que estava a fazer ou não para ajudar estas crianças. Permitiu-me descobrir quais as lacunas que eu precisava de ultrapassar na área da espiritualidade. Penso que me tornou um melhor profissional.

O fato da sua publicação também contribuiu para a divulgação do conhecimento na área o que para mim constituiu um facto extremamente importante.

Pessoalmente, foi a concretização de um projeto de vida… Pode parecer vaidade, egocentrismo, mas a escrita deste livro considero-o “a minha primeira marca” nesta vida… O meu contributo como Ser Humano para o desenvolvimento da Humanidade… O meu testemunho na passagem por esta vida. É algo que eu fiz e que não vai desaparecer. Considero-o como uma das coisas que eu fiz mais importantes na minha vida e com bastante significado. É algo que é Meu, que traduz um pouco o que sou… É algo que foi crescendo ao longo do tempo, que foi sujeito a avanços e recuos… Que foi regado com lágrimas de tristeza e de dor, mas simultaneamente lágrimas de amor, gratidão, partilha… Este livro mostrou-me tudo isto… Mostrou-me que cada um que se cruza no nosso caminho, por mais breve que seja o contato, deixa-nos sempre alguma coisa… Tem sempre algo para nos ensinar, para nos mostrar que, às vezes, temos que mudar o modo como olhamos para as coisas. Nem sempre é fácil... eu sei, mas o caminho faz-se caminhando, pouco a pouco, passo a passo.

Escrever este livro ensinou-me que tudo tem um tempo para acontecer… Modificou a minha forma de encarar a vida… De aproveitar o momento… “o aqui e agora”… Algumas vezes, antes da escrita, dei comigo a pensar “quando me reformar faço isto…vou ali…compro aquilo…”. Depois, quando a Espiritualidade se tornou mais presente…houve a consciencialização de que tudo é incerto, mutável e que amanhã poderemos não mais neste mundo..

O não sermos donos de nada… Sermos seres em constante aprendizagem… O aprender a valorizar o que temos foram talvez as aprendizagens, que eu destaco pessoalmente e que trouxeram modificações nas diversas áreas da minha vida.

GARCIA edizioni.: - Pessoalmente, que recado você gostaria de dar a cada pessoa que o lesse?

Maria Filomena M. Lucas.: - Que a Vida é uma a aventura… Que a aceitem tal como ela é… Que lutem pelos vossos sonhos… Por aquilo que vos fizer sentido… Que não desistam… Persistam e que… não se esqueçam da espiritualidade… ELA EXISTE… ELA está sempre presente e é necessária trabalhá-la… Deixá-la crescer…Compreendê-la e, sobretudo VIVENCIÁ – LA.

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